DESRESPEITE A HIERARQUIA, NÃO AS PESSOAS

21/09/2017

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Imagine uma reunião com o CEO da empresa e quando menos se espera ele solta uma besteira enorme. Os presentes se entreolham e ninguém fala nada, ninguém ousa corrigi-lo, nem mesmo o presidente, o CFO, o CMO, o CIO e o CTO, todos calados.

A decisão que seria tomada ali, era de suma importância e colocava em jogo, dezenas de milhões de dólares e muitos empregos. Mas ninguém falava nada. Todos disfarçavam e pareciam não ter ouvido aquilo.

No meio desse sórdido silêncio, um funcionário toma coragem e diz: “Mr. CEO, permita-me uma pequena correção nos fatos…”. O que veio depois disso foi uma esculhambada de uns dois minutos, mas que pareceu durar dois dias. Constrangedora, pública, ali na frente de todos, para garantir que isso não se repetiria com ninguém que estava na sala. A reunião chegou ao fim e com ela,  a pior decisão possível. O motivo? As pessoas escolheram ficar quietas.

Ninguém naquela sala, exceto o audacioso funcionário, precisava trabalhar. Todos eram merecidamente muito ricos. Sem exceção, ganharam muito com o seu trabalho e também sem exceção, ficaram quietos por medo de corrigir seu chefe e perder seus empregos.

Ao término da reunião, o CEO deixou a sala feliz em saber que tinha todas as respostas do mundo. Inconformado com a decisão e sem a menor pretensão em se mostrar superior, o tal funcionário dirigiu-se a alguns daqueles “C…” que ainda permaneciam ali e disparou: “Vocês sabiam que ele estava errado, por que não falaram nada?” E a resposta, sem nenhuma cerimônia, foi: “Ele não gosta de ser corrigido”. E é assim, nesse cenário, que muitas empresas caminham.

A liberdade de expressão no trabalho é uma das principais características das organizações de alto desempenho. Não é por acaso que esse atributo aparece em todas as pesquisas de engajamento. Os funcionários que falam o que pensam são os que se importam mais com as empresas. São aqueles que ainda querem achar a resposta certa para os problemas. Já os que se calam…

Mas entre as experiências com bons e maus chefes, é possível aplicar cinco regras simples:

Respeite as pessoas – Ter a liberdade de falar o que pensa não significa criticar as pessoas, mas sim suas ideias. Não perca tempo debatendo o que seus colegas são, mas sim o que pensam e suas decisões.

Desrespeite a hierarquia – Toda crítica é bem-vinda. Qualquer um pode dizer o que pensa a qualquer hora. O gerente não tem o compromisso em concordar ou aceitar, mas tem a obrigação de escutar.

Não critique sem oferecer alternativas – Se você acha que algo está errado, sugira outra solução. Veja o problema coletivo como seu e tente resolvê-lo. Todos os gerentes querem alguém assim em seus times.

Comemore e promova as pessoas que dão o bom exemplo – Montar uma equipe na qual todos se comportem assim não é fácil. Sempre haverá aquele que prefere falar pelas suas costas. Mas vale a pena insistir. Quando o gerente incentiva esse comportamento e dá o exemplo, é natural que a equipe se motive a fazer o mesmo.

A mudança começa pelo chefe – Poder falar o que pensa é um direito garantido pela Constituição fora dos escritórios. Dentro deles, ainda depende do seu chefe. Os melhores líderes incentivam a criticar abertamente tanto suas ideias quanto suas decisões. Mesmo que em público. Eles não possuem nenhuma preocupação em não saber todas as respostas, em ficar em dúvida ou em ter que pedir ajuda para os outros.

O “desrespeito respeitoso” é o atalho mais rápido para formar as melhores equipes. Se você é um líder, pratique.

Fonte: Meio e Mensagem



Tags: Dicas

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